Nosso voto é a arma mais poderosa contra a vilania
Clamava César Ladeira: “A riqueza gloriosa, a riqueza suprema, a única riqueza que São Paulo quer: a vitória! a vitória! a vitória!”
Assim rasgava a poderosa voz do grande locutor naquele ano de 1932. Era São Paulo, “locomotiva do Brasil”, o carro-chefe de um movimento que, ao cabo, deixaria um saldo de ao menos 890 mortos, segundo dados do Governo do Estado de São Paulo, praticamente o dobro de soldados nossos mortos na 2ª Guerra Mundial.
São Paulo se rebelava contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas (provisório, mas que se estendeu até 1945), assumido mediante golpe num contexto extremamente conturbado da política nacional. A forma autoritária como se conduzia no poder o ditador, aliada à retaliação escancarada contra o nosso Estado, provocou a revolta do povo paulista contra a União. Uma nova constituição da República urgia, e uma guerra civil irrompeu.
Algumas versões fantasiosas atribuem um desejo separatista ao povo de São Paulo, que se levantou contra Vargas, mas o que de fato se viu foi uma população que se irmanou pedindo respeito à legalidade. A prova de que o movimento era pelo Brasil é que se contava com o apoio de outros estados. Infelizmente, esse apoio não chegou e o movimento sucumbiu diante do poderio bélico das tropas federais.
Apesar da derrota no campo de batalha, o sacrifício, o sangue derramado e as vidas perdidas em solo paulista não foram em vão. Uma assembleia constituinte formou-se e, em 1934, promulgou-se a nova constituição.
Naquele episódio, toda a população uniu-se contra a opressão de um ditador que já se anunciava. Cidadãos doaram seus pertences, suas joias, suas relíquias de família pelo movimento. Homens e mulheres se voluntariaram, fosse para o front ou para o suporte à retaguarda. Mas, acima de tudo, patriotas se doaram para o bem de São Paulo e do Brasil. Esse é o espírito que fica do Movimento Constitucionalista.
O cartaz do M.M.D.C. era assertivo no recrutamento de voluntários: “Você tem um dever a cumprir. Consulte a sua consciência!”.
Décadas se passaram, mas o cartaz parece continuar atual. No caso, agora, não se pede que derramemos nosso sangue, mas que também consultemos nossa consciência e façamos a escolha certa. O campo de batalha é o político, e não podemos desertar. Nosso voto é a arma mais poderosa contra a vilania, contra os desmandos, contra os abutres que se apropriaram do Estado brasileiro.
É fundamental que exerçamos nosso direito e nosso dever: o ato de votar. Nossa renúncia significa a vitória dos maus. Se não participarmos do processo, delegaremos a outros o destino de nossas vidas.
Nos últimos anos, assistimos à destruição dos nossos valores mais caros, fomos sufocados em nossos direitos individuais e tivemos de navegar num mar de corrupção.
O aparelhamento do Estado permitiu aos criminosos eleitos quase se perpetuarem no poder, mas o Brasil acordou a tempo. Os criminosos começaram a ser identificados e punidos, mas a salvação ainda está longe.
Ontem assistimos ao patético e perigoso ativismo judicial desempenhado por um desembargador petista (comprovadamente, filiado ao partido de 1991 a 2010) do Tribunal Federal da 4ª Região, emitindo por três vezes uma ordem de soltura do condenado em 2ª instância Luiz Inácio Lula da Silva. A peça bufa desempenhada pelo juiz ativista só teve fim com decisão do Presidente do TRF-4. A tentativa petista de jogar nas sombras do Judiciário, num plantão, escolhendo o juiz a quem recorrer, é a mais clara evidência do aparelhamento estatal a que já nos referimos, e contra o qual devemos lutar com todas as forças.
Precisamos despetizar o Brasil, precisamos jogar essa herança maldita política no latão de lixo histórico e enterrar suas práticas nefastas para sempre. Não será tarefa fácil, nunca foi, mas é necessário fazê-lo. Só há uma forma: votando.
O Brasil há de se salvar dessa caterva, afinal somos mais fortes, e somos a maioria. Que Deus nos ilumine e conduza em mais essa batalha. O objetivo paulista, e brasileiro, foi e sempre será: “A VITÓRIA! A VITÓRIA! A VITÓRIA!”



